Soluções para o CAOS

A Revista VEJA São Paulo desta semana (edição de 4 de Abril de 2007) trouxe uma matéria interessante sobre os problemas do transito paulistano. Não a reproduzirei em detalhes aqui, pois não é esse o intuito do blog nem meu. Quem quiser ver a matéria pode se dirigir ao endereço da revista CLICANDO AQUI

Basicamente o intuito da matéria é dar 10 sugestões para se melhorar o transito paulistano, classificada em grau de dificuldade de implementação (endossada por especialista da área), além de também mostrar o custo de implementação.

Vou fazer um resumo dos 10 principais pontos abordados pela revista.

1- Pequenas medidas, grandes impactos:

*Tapar buracos
*Pintar faixas nas ruas
*Acrescentar faixas em avenidas movimentadas
*Regulamentar guias rebaixadas em grandes avenidas
*Construir áreas de embarque e desembarque dentro de escolas

Item classificado como verde (Alta Viabilidade) e custo de 530 milhões de reais

Creio que estes sejam os itens mais fáceis de serem implementados e como a revista mesmo falou os que dão resultados mais rapidamente. Não há o que discutir.

2- Um rodízio eficiente

Salienta o fato que na época de sua implementação o Rodízio Municipal tirou 20% dos veículos das ruas, mas em uma cidade onde 500 novos veículos chegam diariamente as ruas este beneficio acabou por perder-se. Atualmente somente um rodízio diário iria conseguir resgatar estes benefícios, porem o medo da CET é que a população comece a comprar carros mais velhos que poluem mais, que representem maior risco aos outros motoristas e que engrossem o montante de mais de 1,6 milhões de veículos que se encontram atualmente na ilegalidade.
Segundo a CET com a ajuda de 36 leitores automáticos de placas no ano passado foram multados 1 milhão de motoristas, o que fez a obediência ao rodízio subir de 78% para 82% e a lentidão média em horários de pico passou de 85 quilômetros para 81. Para fiscalizar todo o centro expandido de São Paulo seria necessário investir por volta de 1,1 milhão de reais por ano, custo baixo diante dos 85 milhões arrecadados em 2006 com multas de motoristas infratores.

Item classificado como verde (Alta Viabilidade) e custo de 1,1 milhões de reais (anualmente)

Creio que essa medida só acabe por punir os menos abastados, pois quem tem dinheiro para comprar outro carro. Irá comprar.

3- Triplicar o contingente de marronzinhos

Além de multar infratores, marronzinhos tem por função agilizar a busca por obstáculos (carros quebrados, caminhões ou qualquer coisa que impeça o bom desenrolar do transito), além de orientar o transito em sí. Inibem também uma eventual transgressão da lei, somente por sua presença no local, intimidando motoristas.
Este ano a cidade contará com mais 358 marronzinhos, mas ainda é um numero pouco expressivo, o ideal seria o triplo deste numero (no mínimo). Além da sugestão de andarem em motos, pois agilizaria de maneira significativa sua movimentação entre o transito e conseqüentemente suas atuações.

Item classificado como amarelo (Viabilidade moderada) e custo de 190 milhões de reais (anuais)

A solução não é somente aplicar multas, e sim educar o motorista. Como é feito nos Estados Unidos por exemplo, onde um policial para aplicar a multa tem de perseguir e autuar o infrator (por isso vemos tantas perseguições em programas como "os mais impressionantes vídeos policiais", entre outros do gênero). O correto seria parar o infrator, aplicar-lhe a multa, dizer-lhe o motivo e também fazer uma inspeção em seu veículo. Já que ninguém gosta de perder tempo hoje em dia, muitos seria inibidos de cometer uma infração pelo simples fato da perda de tempo que isso ocasionaria.

4- Melhores transportes públicos

É de consenso geral que boa parte da diminuição do transito consiste em melhorar o transporte publico, só quem precisa dele todo dia sabe o que estou falando. Com sua melhoria muitos deixariam os carros em casa, os que não tem carro seria melhor atendidos e todos ficariam mais contentes. A estimativa é que com um transporte publico eficiente, 30% dos automóveis seriam tirados das ruas todos os dias. Creio que este item nem precise ser discutido.

Item classificado como vermelho (Viabilidade complicada) e custo de 20 bilhões de reais em 18 anos.

5- Multar mais para que todas as leis sejam respeitadas

Defende a multa como maneira de se educar pessoas, que mesmo em países de 1º mundo o respeito as leis não depende apenas da civilidade do povo, que sabendo da possibilidade de multas pesadas, acabam sendo inibidos a cometerem infrações. Punir infrações como, andar em faixas de ónibus, avançar sinais, ultrapassar limite máximo de velocidade, os engarrafamentos no trânsito
conseqüentemente diminui os acidentes.
Mas nada adianta aumentar as multas e a arrecadação se os 95% do valor das multas que deveriam ser encaminhados a CET, para controle de trafego, não forem realmente encaminhados ao seu correto destino.

Item classificado como verde (Alta Viabilidade) e custo de nulo

Item mais controverso em minha opinião. Já que acho que multa não educa, somente pune.
Creio que como disse anteriormente, o certo seria parar o infrator, perdir-lhe todos os seus documentos, fazer uma inspeção em seu carro,
"O Sr. não pode perder tempo? que pena estar atrapalhando Se. mas estou cumprindo meu dever"
Multa não educa, multa arrecada. Educação se dá conversando e explicando o porque da multa, não com um carnezinho na residência 30 dias após a infração onde a pessoa muitas vezes nem lembra o porque da multa.
Em tempo: Foi publicado certa vez na revista Quatro Rodas uma entrevista com um "playboy" que teve o recorde de velocidade em multa no ano, 180Km/h na marginal Pinheiros. Ao ser abordado pelo repórter com a seguinte pergunta: "o que você faria se prendessem seu automóvel", o rapaz foi bem direto em suas resposta:
"No outro dia compro um novo e "fuço" no motor do mesmo jeito". Multa adianta? pode até ser que sim, ams somente para os menos abastados.

6- Campanhas de educação

Defende a educação em escolas e campanhas para educar jovens motoristas sobre os riscos de se transgredirem as leis de transito. A pedagoga Nereide Toledino, defende a implementação no calendário curricular de escolas, aulas sobre educação no transito ao custo de 500.000 mil reais em 3 anos. Sua proposta foi encaminhada a CET a dois anos e até hoje não obteve resposta. A CET, que gastou 3 milhões em propagandas no ano passado, diz que é causa das licitações o atraso no programa da pedagoga. A alternativa seria convidar publicitários a criar gratuitamente campanhas de educação no transito a serem vinculadas em grandes meio de comunicação.
É algo barato, que rende frutos por muito tempo e altamente efetivo.

Item classificado como verde (Alta Viabilidade) e custo de 500.000 reais

Será que seria interessante educar a todos e diminuir a arrecadação com multas? muitas vezes interesses envolvidos impedem boas idéias.

7- Pedágio nas regiões centrais

Já que não se pode barrar o crescimento da frota, a alternativa seria cobrar pedágio (como feito em Londres por exemplo) forçando o motorista a manter seu carro em casa e usar o meio de transportes público. Em Londres a arrecadação de 2,4 bilhões de reais teve metade de seu valor total destinada somente a melhoria do transporte publico. O arrecadamento previsto para São Paulo seria de de 700 milhões anuais, através de taxas de no máximo 2 reais. O engenheiro de trafego Francisco Moreno Neto (defensor do sistema "pague e rode") salienta que o centro de São paulo é bem servido de linhas de transporte publico. Porem o presidente da CET afirma que isto não está nos planos da empresa por ordem do próprio prefeito. essa decisão contraria as recomendações do próprio "Plano Integrado de Transportes Urbanos" ou PITU 2025, que prevê cobrança de pedágio para aliviar congestionamento e financiar melhorias no transporte publico da região metropolitana.

Item classificado como amarelo (Viabilidade moderada) e custo de 250 milhões de reais

Para esta medida dar certo, primeiramente os transportes públicos teriam de ser melhorados como um todo. Ai sim poderiam pensar em implementar tais medidas. Já que atualmente, quem tem automóvel, prefere ficar sentado confortavelmente em seu veículo, do que em pé, passando apertos no transporte publico municipal. Engraçado que teriam de ser criadas novas taxas para possibilitar a melhoria do atual sistema de transporte.

8- Tirar de circulação carros em más condições

Defende a implementação da Inspeção vei
cular obrigatória. Já que das 800 ocorrências que a CET atende diariamente, 460 são causadas por veículos quebrados que entopem as ruas de São Paulo. Além de diminuir a poluição lançada no ambiente a inspeção evitaria que carros sem condições de rodar ou com despejo de gases acima do permitido ou fossem concertados, ou trocados por mais novos. O custo para o governo seria nulo e os motoristas arcariam com valores de 20 a 50 reais por ano na inspeção mas, prevista desde 1997, quando foi lançado o novo Código de Trânsito Brasileiro. Um projeto de lei que a torna obrigatória aguarda desde 2001 a aprovação da Câmara dos Deputados.

Item classificado como verde (Alta Viabilidade) e custo de nulo ao estado.

Na teoria creio até que funcione, se todos tiverem boa vontade de respeitas as normas. Mas não creio que os mais carentes, que usam seus carros como ferramenta de trabalho, e não possuem condições para comprar um novo ou arrumar o atual, vão obedecer tal lei. Talvez o numero de "foras-da-lei" de um salto além dos 1,6 milhões atualmente em circulação.

9- Controle de trafego automatizado

Colocar toda a frota de veículos da capital, seriam necessários mais de 22.000 quilômetros para acomodar todos os veículos em vias publicas, colocar todos nos atuais 16.000 quilômetros desafia todos os princípios físicos existentes. Abrir mais avenidas, além de ser algo custoso seria um convite ao aumento do números de automóveis nas ruas. O que foi percebido é que a questão é gerenciar o que já está pronto, e isso somente investindo em tecnologia. Por isso estão acelerados os planos da implementação do "Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos". Já que com ele se torna mais fácil identificar problemas, alguma eventual infração em pistas de ónibus ou mesmo quebra de rodízio por parte de algum motorista.

Item classificado como amarelo (Viabilidade moderada) e custo de 320 milhões de reais

Arrumar sinais inteligentes espalhados pela cidade, seria o primeiro passo (dos 1300 existentes, 1040 estão danificados). Somente com o melhor gerenciamento do transito seria possível melhorar as condições de trafego.

10- Disciplinar a circulação de caminhões

Apesar de representarem 4,5% da frota que circula na capital, são responsáveis por 35% dos congestionamentos da cidade. A cidade recebe em média 230.000 caminhões todo dia. Assim o que poderia ser feito:

*Terminar o trecho sul do Rodoanel
*Construir centros de distribuição na periferia, facilitado pelo uso do Rodoanel
*Proibir carga e descarga durante o dia em grandes estabelecimentos
*Criar faixas exclusivas na rodovia dos Bandeirantes

Item classificado como vermelho (Viabilidade complicada) e custo de 3,7 bilhões de reais

Creio que se todos os caminhões fossem educados a andar na direita além de serem punidos por isso, muita coisa já melhoraria no transito. Atualmente que o que mais vejo no dia-a-dia (ainda mais em avenidas grandes, mas não como Marginal) são caminhões na esquerda. Atrapalhando o bom andamento do trafego local.





Assim, para que se interessou, recomendo a leitura da reportagem a integra. Apresenta possíveis soluções ao nosso problema do trafego mas, algumas abordadas pela ótica errada.

Abraços

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