
Os três grandes maus hábitos
por Bob Sharp
MAU HÁBITO N°. 1: ENGATE
É como se, de repente, fôssemos uma nação de rebocadores. Não há estatística, mas é possível arriscar o palpite de que, a cada 10 carros, hoje 3 ou 4 têm engate. A maioria deles impecavelmente cromados, que chegam a refletir a luz dos faróis do carro que segue atrás - dos flashes fotográficos também?
Mas o fato notável desses engates é a democratização que representam, pois podem ser vistos tanto em BMW 328 quanto em Fusca 62. Em Corsa e Ford Ka, tem de monte; táxi, nem se fala.
Alguém já disse que engates constituem adorno, que deixam o carro pintoso, maneiro. O que não dá para entender é como um carro com engate pode ficar charmoso. Quanto mais hoje, com os pára-choques integrados ao estilo e cada vez mais da cor da carroceria.
Outra versão da popularidade do engate é a proteção que proporciona. Aquela encostadinha por trás, no trânsito ou numa vaga, danifica o outro, não o próprio carro. Esquecem-se que, ao deixar o carro recuar sem querer numa subida, produzir-se-ão danos em quem está atrás, não raro tendo de ressarci-lo. É o próprio egoísmo burro.
Há um aspecto ainda mais grave, que é o engate reduzir a deformabilidade da traseira, podendo acentuar as conseqüências de uma colisão traseira por não absorver a energia do impacto tão bem como foi previsto no projeto do veículo.
Sem contar aquele peso lá na extremidade traseira - saiba-se lá quantos quilos, se 3 ou mais -, capaz de elevar o momento polar de inércia e dificultar a entrada na curva. E contribuir para escapar de traseira na saída.
Finalmente, o engate estar ao alcance das canelas de quem vá atravessar a rua, podendo causar ferimentos, sem necessidade alguma.
O Contran bem que poderia fazer algo a respeito, regulamentando o tipo e o uso de engate. Por exemplo, exigir que seja escamoteável, de maneira a nunca constituir perigo para pessoas ou ameaça à integridade dos outros veículos.
MAU HÁBITO N°. 2: FAROL DE NEBLINA FORA DE HORA
Muitos carros possuem faróis auxiliares em acréscimo aos principais. Faróis auxiliares podem ser de longo alcance ("milha") ou de neblina. Faróis de neblina são projetados para abrir bem o facho, de maneira a iluminarem as bordas das estradas, e também para apresentarem uma linha de corte de luz bem baixa. É dessa maneira que se consegue melhorar a visibilidade da pista à frente quando há neblina, orientando-nos pelas bordas no primeiro caso e havendo menos reflexo das gotículas d'água no segundo.
Só que o uso desses faróis ficou totalmente desvirtuado, pois o que se vê cada vez mais é sua utilização no lugar dos faróis principais na cidade. Há duas versões do porquê desse mau hábito.
A primeira é que, numa louvável (e rara) atitude de cortesia para com os outros motoristas, os faróis de neblina ofuscam menos do que os principais baixos; a segunda, a questão de ser "pintoso, maneiro" andar com os faróis acesos no lugar dos principais, atitude já citada no caso do engate.
Faróis de neblina não iluminam a sinalização vertical. Pode-se perfeitamente deixar ver uma placa de parada obrigatória num acesso ou cruzamento, ou uma informação importante qualquer pode não ser vista.
Por terem essa característica, muitos levantam a orientação do facho dos faróis de neblina, que passam a ofuscar os veículos que estão próximos. Fora a questão da altura em si, esses faróis não contam com a assimetria de facho dos faróis principais, acentuando o ofuscamento. A cortesia vai para o espaço - literalmente.
Agora, pode alguém explicar como um carro fica "pintoso" por estar com os faróis de neblina em uso? Sem comentários....
E há ainda quem, não satisfeito, usa os faróis principais baixos e os de neblina ao mesmo tempo. Pior, certos carros, como o Chevrolet Blazer, têm a luz traseira de nevoeiro conjugada com os faróis de neblina, causando grande incômodo ao motoristas de trás sempre que são ligados.
Quem escreve este texto está há um ano com um carro que possui faróis de neblina - nunca foram utilizados.
MAU HÁBITO N°. 3: TRAFEGAR À NOITE COM LANTERNAS SOMENTE
Está diminuindo, mas o número de motoristas que insiste em trafegar à noite com lanternas somente ainda é grande. Não só deixam de ser avistados os obstáculos à frente, como buracos, com deixa o próprio carro difícil de ser visto por tudo o que está na rua, como outros motoristas, ciclistas, pedestres. Além de, como já foi visto na questão dos faróis de neblina, fica bem mais difícil ver a sinalização vertical de trânsito.
Há três explicações para a formação desse péssimo hábito, proibido pelos códigos de trânsito anterior e atual. Um, a precariedade dos sistemas elétricos de 40 ou mais anos atrás, em que dínamos não eram suficientes para fornecer energia aos faróis no tráfego anda-e-pára das cidades e as baterias descarregavam-se com facilidade (com a chegada dos alternadores, a partir dos anos 60, o problema desapareceu). Outro, os progressos da iluminação pública, levando os motoristas à falsa conclusão de que faróis não eram necessários. O terceiro motivo, ser cortês (quanta cortesia!...) e não ofuscar ninguém.
O hábito de somente lanternas é mais acentuado na capital paulista do que em qualquer outra cidade ou região. Tanto que, há alguns anos, num blecaute, o autor viu vários carros trafegando com os faróis principais desligados em meio à mais completa escuridão.
Mesmo em outras situações de visibilidade e visualização difícil, como no interior dos túneis, a maioria trafega sem os faróis, outro contra-senso. Até em auto-estradas vê-se, com relativa freqüência, carros com lanternas ligadas somente.
Essa indisposição contra o uso de faróis faz os motoristas deixar de ligá-los em situações bastante críticas como chuva forte e neblina diurnas. Esta última, assim, torna-se muito perigosa, especialmente nas estradas de pista simples, quando o tráfego contrário simplesmente não consegue ser visualizado.
O uso de faróis mesmo de dia é tão importante que, em países como Canadá e Suécia, faróis de meia-luz, mais fracos do que os normais, acendem-se juntamente com a ignição, um dispositivo do código de trânsito deles.
Somente com educação e sobretudo disposição o tráfego brasileiro ficará mais seguro. O importante é ter-se consciência de que nunca é tarde para aprender...
Bob Sharp
bobsharp@ruralsp.com.br
São Paulo, SP

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